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O mal comunista e a Eucaristia – Dom Athanasius Schneider

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O mal comunista e a Eucaristia – Dom Athanasius Schneider

Bispo rasga o marxismo e lamenta negligência para com a Eucaristia

Na Cracóvia, Polônia (churchmilitant.com).

Um bispo está denunciando o comunismo à medida que levanta a sua voz em defesa da santa Fé.

Numa entrevista recente, publicada pelo jornal polonês “Polonia Christiana”, o Bispo Athanasius Schneider, do Cazaquistão, comenta sobre o terror comunista, a reverência devida na entrega e recepção da Sagrada Comunhão, bem como a definição de um santo sacerdote.

O Bispo foi comparado ao seu onomástico, o Santo Atanásio, Bispo de Alexandria, que defendeu a doutrina da Igreja contra a heresia nos primeiros séculos da Igreja.

As voltas e reviravoltas da família do Bispo Schneider pela Europa Central, Ásia Central, pelas montanhas e costas Urais durante o terror comunista de Stalin informa, nesta entrevista, a espinha dorsal de sua teologia e crenças.

Aludindo à sua infância marcada pela perseguição comunista à Fé, o Bispo disse: “O objetivo do regime comunista era estabelecer uma sociedade sem Deus. Qualquer gesto religioso público ou adoração pública era, portanto, proibido.” O bispo Schneider recebeu sua primeira Santa Comunhão em segredo, porque a fé Católica foi proibida na região agora conhecida como o Quirguistão, onde ele nasceu em 1961.

Mas a Fé sobreviveu – disse ele, sendo transmitida pelas famílias, descrevendo “a família Católica como uma Igreja doméstica”.

Ele descreveu o “grande privilégio e a grande sorte de vir ao mundo numa família muito Católica”, acrescentando ele que “absorveu a fé Católica com o leite materno”. Na ausência de padres – o que ele disse que às vezes duravam vários anos, seus pais santificavam o domingo fazendo orações ordinárias pela manhã.

Quando sua família se mudou para a Estônia, “nós tínhamos um padre e uma igreja a cerca de 100 quilômetros de distância”, acrescentando: “Achamos que essa era uma distância muito curta” para a fé.

O Bispo recorda que sua família conheceu “dois santos sacerdotes”, durante esse tempo, que sofreram – um deles morreu – no Gulag em Karaganda, parte da cadeia de gulags sobre o que Alexander Solzhenitsyn escreveu no “Arquipélago Gulag”, o qual documentava o uso sistemático de terror contra seus próprios povos.

A fuga para um Ocidente menos comunista, mas mais secularizado, na década de 1970, trouxe sua própria série de provações. O Bispo, então adolescente, e sua família ficaram chocados com a falta de reverência e senso de sagrado na liturgia da Santa Missa. Com a Igreja perseguida, ele disse, “Vivíamos profunda fé, mantendo grande reverência por todo o real sagrado, pelo padre, pela liturgia e, acima de tudo, pela Santa Comunhão”. Mas, na Alemanha pós-conciliar, “nós assistimos à cena inimaginável de distribuição da Sagrada Comunhão nas mãos. Pareceu-nos algo tão banal e tão comum quanto entregar bolos”.

Quanto aos perigos espirituais de dar e receber a Sagrada Comunhão na mão, o prelado disse: “O maior risco […] é a enorme perda de partículas da Eucaristia”, com as partículas sendo, então, “pisadas pelos pés humanos em nossas igrejas”.

“O próximo risco sério é a grande facilidade de roubo das Hóstias consagradas.”

Além disso, a posição de ajoelhar-se para receber a Santa Eucaristia é “tipicamente cristã” e usada “na adoração a Deus, Cristo, o Deus Encarnado”, ele ressalta. “Nosso Senhor mesmo orou de joelhos, assim como os apóstolos e mulheres na manhã da Ressurreição.”

“Uma atitude de ajoelhar é vista na Jerusalém celestial, na qual anjos, juntamente com a humanidade redimida, prostram-se de joelhos e até mesmo as suas faces para adorar a Cristo, o Cordeiro de Deus”.

Quanto aos leigos que distribuem a Comunhão, o Bispo disse que isto é “contrário a toda a tradição da Igreja universal – em ambas as Igrejas Católicas orientais e ocidentais – e nunca tinha sido praticado. Sucedeu-se que durante tempos de perseguição (leigos e) eremitas no deserto poderiam dar a Sagrada Comunhão aos fiéis, mas isso sempre acontecia fora da Missa. É uma novidade absoluta e uma ruptura real com a tradição”, disse ele, acrescentando que as novidades devem ser introduzidas apenas quando o bem verdadeiro e indubitável da Igreja muito requer, com a condição de que novas formas crescerão organicamente a partir de formas existentes.

A lei da Igreja é muito clara: Nenhum sacerdote ou bispo tem o direito de recusar a Sagrada Comunhão se o fiel quiser recebê-la de joelhos e na boca. Este direito está escrito em “Redemptionis Sacramentum” (91).

Além disso, ele ressalta que a Igreja trata a violação dessa norma como uma “ofensa grave” (173):

Todo piedoso ministro também deve perguntar-se seriamente se respeitou os direitos dos fiéis leigos, que confiam nele e em seus dirigidos com convicção, convencidos de que todos eles cumprem corretamente as tarefas para o bem dos fiéis, que a Igreja deseja cumprir o mandato de Cristo ao celebrar a sagrada liturgia. Todos devem lembrar-se de que ele é um servo da sagrada liturgia (186).

O Bispo observou piedade nos católicos do Cazaquistão, apesar dos efeitos persistentes do regime ateísta e comunista:

Os católicos no Cazaquistão conservaram uma herança valiosa desde o tempo da perseguição, isto é: fé profunda, grande adoração à liturgia e, sobretudo, à Santa Eucaristia; eles mantiveram uma clara consciência do pecado, e é por isso que os fiéis frequentemente usam o sacramento da penitência; grande amor à oração, especialmente adoração eucarística; amor e adoração pelos sacerdotes e bispos; profundo senso e adoração pelo sagrado.

Mas o bispo deu orientações práticas sobre como permanecer firme durante os tempos atuais:

● aprender mais sobre a plenitude da fé católica quanto à Eucaristia, em particular os documentos extremamente ricos do “Magisterium”;
● ler sobre a vida e os exemplos de santos e mártires da eucaristia;
● promover a adoração eucarística em nossas comunidades e até mesmo estabelecer grupos ou confrarias de adoradores da Eucaristia.

Devemos também consolar Nosso Senhor por causa dos vultosos e numerosos atos de sacrilégio e desrespeito, e oferecer, em espírito de penitência, pelas mãos da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mulher Eucarística, atos de penitência e reparação seguindo o exemplo do anjo que apareceu para as crianças de Fátima, disse ele.

E para reconhecer um “santo sacerdote”, diz o Bispo, tal homem “não se importa com seu próprio ganho, mas apenas com a glória de Deus e com o bem espiritual das almas. E ele obterá a maior ajuda nesse processo, se celebrar a Santa Missa com cada vez mais fé e amor a cada dia.”

O Bispo Schneider é o autor de “Dominus Est” – “É o Senhor!” – em que ele cita a reverência e proeminência que papas, santos e Pais da Igreja dão à Santa Eucaristia.

Tradução de Andréia de Faria

Por Martina Moyski
Via site “Church Militant”, de 12 de março de 2020.

https://www.churchmilitant.com/news/article/interview-with-bishop-athanasius-schneider?fbclid=IwAR11S71LdbJ5MW1nGq-lCFf7cS-Mv530r2433XOheHLMv4nzBIyXPv-z5Bk